domingo, 27 de maio de 2012

Fotos da abertura do MAB 2012 [17/5/12]

nav tirs nekadus hibridus n. 2, por Paulo Rios Filho
Camará na abertura do MAB 2012

Modos Imagísticos, por Wellington Gomes
Camará na abertura do MAB 2012

Os aplausos do público e a gratidão dos músicos
Camará na abertura do MAB 2012

Em junho, repertório novo para conjunto de sopros
20/6 – dentro da programação do MAB

sábado, 26 de maio de 2012

Camará no lançamento do MAB

O Camará foi o grupo convidado da noite de lançamento do MAB 2012 – Música de Agora na Bahia, programa voltado à música de concerto contemporânea, com ênfase especial na produção de compositores brasileiros e baianos. O MAB é uma realização da OCA – Oficina de Composição Agora, e se estenderá de maio a dezembro do ano de 2012 com uma série de atividades, incluindo concertos, recitais em escolas públicas, palestras e seminários de composição musical.

Um dos vídeo-teasers do MAB 2012


O evento começou com um coquetel duplo de lançamento, celebrando tanto o pontapé inicial do projeto quanto o início da distribuição do CD "Compositores da Bahia", idealizado e produzido pela OCA.

Com a casa quase repleta, apesar da noite chuvosa, o Camará apresentou mais uma vez o repertório do "Música Baiana?" e encantou o público com sucessos como "nav tirs nekadus hibridus n. 2", de Paulo Rios Filho, "Oxowusí", de Alexandre Espinheira e "Ibejis Nº 2", de Paulo Costa Lima. 

Camará no Mê de Música

O pessoal do Mê de Música passou por lá e um trechinho do concerto do Camará pode ser conferido no programa de número 2.

Em junho o conjunto volta a fazer um concerto associado à programação do MAB, desta vez somente com obras inéditas para um conjunto de sopros.

Até lá!


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lançamento do SESC Partituras

O Camará foi o grupo responsável pelo lançamento, na Bahia, do portal SESC Partituras. O lançamento do projeto do SESC, que é um banco digital de partituras de compositores brasileiros de todos os períodos, aconteceu simultaneamente em 23 capitais do país, no dia 14/4/12. 

Em Salvador, o concerto do Camará aconteceu no Teatro do IRDEB e contou com a casa cheia para mais de uma hora de música contemporânea produzida na Bahia. O programa apresentado foi o do projeto "Música Baiana?" -- lançado em dezembro do ano passado. 

Camará tocando... deixe-me ver... já sei: nav tirs nº 2

O público pôde conferir, mais uma vez, a apresentação de obras como nav tirs nekadus hibridus nº 2, Modos Imagísticos e Gigitanas N. 0,5 -- todas de autoria de compositores baianos de música contemporânea --, além de Pequena Fantasia, do compositor Fernando Cerqueira (que não estava incluída originalmente no repertório do projeto que lançou o Camará, em dezembro passado).

O regente cumprimenta um brother
que passou pelo fundo do palco.

Abaixo, você pode conferir a participação do Camará no programa TVE Revista do dia 14/4. Paulo Rios Filho bateu um papo com a apresentadora Jéssica Smetak (que é neta nada mais nada menos que do próprio Walter Smetak, isso mesmo!) e Flávio Hamaoka, Gueber Santos e Vitor Rios deram uma palhinha do concerto daquela memorável noite.





sexta-feira, 13 de abril de 2012

Alexandre Espinheira --
Oxowusí

Camará - Conjunto de Câmara da UFBA | Projeto "Música Baiana?
Reitoria da UFBA, Salvador -- 08/12/11
 [video: emilio le roux | audio: alexandre espinheira]


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Alexandre Espinheira insistia numa versão matematicista de sua música Oxowusí. E eu insistia, do outro lado: "mas, e essa curva dinâmica?! Ela não pode ser puramente matemática." Fizemos deste debate uma primeira versão do vídeo que seria exibido imediatamente antes da performance de sua peça, no concerto de lançamento do projeto "Música Baiana?"

No dia seguinte, o próprio Alexandre me envia uma outra versão, agora toda focada nem na parte racionalista da música, nem em seu contorno dramático ou expressivo, mas na história que, de uma forma ou de outra, está por detrás da composição da obra.

Oxóssi é o orixá da caça, o responsável por matar o temido dragão que assolava a sua terra e cuja morte tinha sido adiada por caçadores de 20, 40, 100 flechas, para acabar sob a mira de uma apenas flecha do caçador, saudado por Oxowusí, que quer dizer "caçador de uma flecha só."

Você consegue "enxergar" essa história ao ouvir a música?

O próprio Alexandre não revela se a composição segue essa narrativa mítica. Apenas sinaliza que diversas marcas rituais do orixá são a base dos materiais utilizados para a composição da peça que é um desdobramento racional-matemático e expressivo de sua necessidade de falar das histórias e ritmos do lugar onde vive, Salvador da Bahia. 


***

Mr. Espinheira insisted on a mathematicist version of your work Oxowusí. On the other hand, I did insist as well: "see this dynamic's curve?! It can't be merely mathematics." So we did the first version of the film which should be exhibited before the work's performance, last December.

Next day, Mr. Espinheira himself sent me another version of the film, this time focused neither on the rationalist part of the composition nor on it's dramatic contour, but on the story which lies behind it's creation.

Oxóssi is the hunting orisha, responsible for killing the fearful dragon which used to attack his land using only one arrow, while other hunters had tried to do that using 20, 40 and even more arrows.

Can you "see" this story when you listen to the music?

Mr. Espinheira doesn't reveal whether his work follows this narrative or not. He only points that several Oxóssi's ritual marks are the basis for the material utilized on the piece's composition, which could be seen as a mathematician-rationalist as well as an expressive unfolding of his necessity to talk about the stories and rhythms of the place where he lives, Salvador de Bahia.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Paulo Rios Filho --
nav tirs nekadus hibridus nº 2

Camará - Conjunto de Câmara da UFBA | Projeto "Música Baiana?
Teatro Eva Herz, Salvador -- 16/12/11
 [video: emilio le roux | audio: alexandre espinheira]


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A primeira coisa que você deve estar se perguntando é: “que diabos de título é esse?” Certamente a intenção do compositor com esse título não era comunicar algo, como quem dá um “bom dia” ou manda o filho ir comprar pão. Mas de qualquer maneira, o seu nome pode ficar pra depois.

Antes, vamos falar um pouco sobre a própria música.

Para compor nav tirs nº 2, Paulo Rios Filho elegeu dois conjuntos de notas musicais como seu material básico e aplicou alguns procedimentos de derivação sobre eles.

De um lado, uma entidade musical familiar (a escala dórica) segue um caminho de autotransformação, numa viagem em direção à sua própria figura deformada – quando deixa de parecer familiar. Do outro, uma entidade musical da natureza (a série harmônica) se artificializa à medida que se aproxima de um ponto no futuro (e vira uma escala de tons inteiros).

Mas, no fim do trabalho do pedreiro, o material não importa tanto quanto a própria casa, que é a forma da maneira como ela é percebida.

Como você percebe essa música? Que imagens ela traz à sua cabeça?

nav tirs nekadus hibridus nº 2 é, segundo o compositor, o convívio de duas viagens paralelas, que se cruzam e se distanciam, em seus diversos momentos.

Essa é uma história cheia de intempéries; afinal são dois roteiros (que já carregam sub-roteiros dentro de si) com itinerários diferentes tendo que conviver dentro do mesmo mundo. É porrada pra lá, quebradeira pra cá, um grito aqui, um tapa acolá. No meio do caminho, porém, calha-nos deparar com paisagens repletas de lirismo. Percebam como no meio da música o clima geral da história muda de face. A porção inicial e a final, por sua vez, guardam semelhanças entre si.

O nome da música quer dizer “nem puro, nem híbrido” em letão. O título tem a ver com a “modificação genética” sofrida tanto pela escala dórica quanto pela série harmônica de dó.

Mas será que já não eram elas próprias frutos de outras modificações?


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"Neither pure nor hybrid." This is what the piece's title means in Latvian. The work is about imagining an anti-world, where things are not things, and about the perception of a trip or path taken by those who are natives and creators of this world, at the same time.

Firstly, a familiar musical entity (the Dorian scale) goes on a path of self-transformation, within a trip to your own deformed picture -- when it is not anymore familiar. 

On the other hand, a nature's musical entity (the harmonic series) denaturalizes itself while it gets close to a point in the future, and becomes a whole-tone scale. Both characters travel in the same direction, one of transformation, and their paths get mixed, interlaced, mopped and rubbed to each other (they caress themselves as well).

Listen to it, once this other world can be only listened to. The images they are by your own account.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Vinícius Amaro --
Gigitanas Nº 0,5 (Frenesia)

Camará - Conjunto de Câmara da UFBA | Projeto "Música Baiana?
Teatro Eva Herz, Salvador -- 16/12/11 | Vitor Rios (bandolim)


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Gigitanas é uma espécie de estudo para bandolim. Ou seja: é uma música que além de poder ser apreciada normalmente (da parte do público), pode ser apreciada ainda somente do ponto de vista da técnica de performance do instrumento (principalmente, claro, da parte do instrumentista).

Segundo o compositor, as sonoridades dessa música são todas costuradas "por um esquema cromático de condução de vozes" -- o que, traduzindo para o mundo normal, quer dizer que cada nota se movimenta quase sempre para a nota mais próxima, de semitom em semitom.

Qual a sensação que esse costurado lhe causa? 

A intenção de Vinícius era, através de uma construção métrica que tende sempre a ser desconstruída, evocar "um estado de ansiedade típico da personalidade de boa parte dos homens urbanos."

Mas a expectativa que a ideia do compositor causa não precisa ser satisfeita. Você pode apertar o play, concentrar-se, e descobrir outros mundos e outras ideias que nem ele imagina.

No entanto, uma coisa é certa: a composição, assim como se tivesse vida própria, "brinca com ritmos do arrocha baiano e com uma pequena ideia melódica da música 'Time And Motion' da banda canadense de rock progressivo Rush," revela Vinícius.

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Gigitanas is a kind of study for solo mandolim. Accordingly to its composer, the work's sonorities are all sewn through a chromatic voice-leading scheme.

What is brought up to you from this sewing sounds?

Vinícius' first intentions were to evocate, through the creation of a metric which tends hardly to be deconstructed, "a state of anxiety typical of the urban men's personality."

Nonetheless, to satisfy an expectation caused by the composer's intention is not mandatory. You can just press play, get to concentrate, and discover other worlds and ideas (ones that not even the composer had figured out).

Overall, one thing is certain: the piece, as a living creature, "plays with rhythms from Bahia's arrocha as well as with a little melodic idea from Rush's song 'Time And Motion,'" Vinícius says.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"Música Baiana?" -- Matéria no A Tarde